quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

MIngus Summit: Charles Mingus é homenageado em Nova York

O Mingus Summit (três dias de música em homenagem à Charles Mingus) irá acontecer no Manhattan School of Music entre os dias 20 e 23 de Fevereiro. O tributo começará com uma palestra do crítico Gunther Schuller, seguido de um painel de discussão sobre Mingus e sua música. Os discursantes incluirão pessoas que tocaram junto de Mingus, assim como Schuller e Sue Mingus, viúva do contrabaixista morto em 1979. No sábado e no domingo haverão apresentações dos grupos de jazz da Manhattan School e do Mingus Dynasty, orquestra formada após a morte do músico dedicada a tocar sua obra. Todos os eventos são de graça e abertos ao público.



O ponto alto do Mingus summit será o 1st Annual Charles Mingus High School Competition. A competição, criada por Sue Mingus, foi aberta para todas as bandas de colegiais do nordeste do Estados Unidos (ano que vêm todas as bandas dos EUA poderão competir). Foram recebidas 60 inscrições de colegiais de Nova York, Massachusetrs, Pennsylvania, New Jersey e Connecticut para a primera etapa do concurso, que foi julgada por Justin DiCioccio, Robin Eubanks and Vincent Herring. Cinco finalistas de cada categoria - big band e combo - foram selecionados. Eles irão se apresentar na etapa final do concurso, que acontecerá no sábado (dia 22) no Auditório John C. Borden na Manhattan School of Music. Após o concurso começará um show às 17 horas com a Manhattan School of Music Jazz Orchestra e Mingus Dynasty, que contará com Boris Kozlav (no papel de contrabaixista), Vincent Herring, Conrad Herwig, Donny McCaslin, Justin Faulkner, Alix Sipiagin e Helen Sung. Prêmios serão dados para a melhor big band, melhor combo, 'incríveis' solistas (estranho um prêmio com um nome assim!), incrível seção de big band (ex: melhor seção de sax, metais, cordas), incrível arranjo para formação combo (geralmente formada por um quinteto: bateria, baixo, corneta, banjo e guitarra) assim como duas bolsas de estudos para Manhattan School of Music.


Fonte: JazzTimes / Jeff Tamarkin
Foto: James Whiton

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Wynton Marsalis lança "He and She", quinto CD pela Blue Note


Wynton Marsalis lançará seu quinto CD pela gravadora Blue Note, He and She, dia 24 de Março. O álbum combina palavras e música. De acordo com o release distribuído na imprensa, "Marsalis deu a seu quinteto algumas formidáveis combinações. O álbum é temperado com pitadas de humor e é cheio de swing. Há tranquilidade e elegância e mais do que um pequeno conhecimento nesses grooves. He and She é sobre aquela eternamente e mais elemental das questões, o relacionamento entre um homem e uma mulher. Marsalis não construiu apenas uma mera história de amor, mas uma história de vida, uma ruminação agridoce sobre a efervecência da vida bem como a idas-e-vindas do amor. Tempo é grande parte do coração de He and She: a rápida passagem do tempo na vida de uma pessoa, as mudanças de clima dentro de uma canção."


O release continua: "He and She começa com palavras, não com música, apesar da música surgir entre as palavras. Marsalis tem ouvido o Jazz in 3/4 Time, de Max Roach , e também músicas de Duke Ellington como 'Lady Mac', de Such Sweet Thunder, trabalho que explora o ritmo da valsa dentro do contexto do jazz. O clássico álbum de Roach inclui 'Valse Hot' que, explica Marsalis, é 'uma peça de Sonny Rollins, uma valsa-jazz que comecei a tocar no colegial." Esta canção acende uma faísca: "Eu comecei a contemplar as misturas de ritmos, esta mistura é a combinação do sentimento da valsa com o sentimento da marcha, e eu pensei que seria bom pra mim gravar um álbum de valsas. Eu já havia escrito algumas antes, uma para o balé de Twyla Tharp, inspirado pelo quadro A Dança de Matisse. Eu estava pensando em valsas e como na Viena de hoje os jovens continuam a dançar valsa, a temporada de valsa ainda é parte do calendário social. Partindo de lá, comecei o ritual do cortejo. A valsa é uma dança de cortejo e durante um tempo foi considerada uma música risqué (arriscada em francês). Agora, claro, é gentil. Então comecei a pensar sobre os homens e as mulheres, seus relacionamentos.


Em He and She, a voz de Wynton Marsalis é mais proeminente, apesar de tudo, introduzindo cada faixa com suas palavras. Marsalis ressalta, "Este ábum, é um homem falando, mas a pessoa que transporta a verdade universal de se importar é a mulher."


Antes de entrar no estúdio, o Wynton Marsalis Quintet viajou até a Iron House, em North Hampton, Massachussets, para apresentar seu novo material diante do público. Marsalis têm ido há anos a este clube de jazz pra fazer o test-drive em seus novos trabalhos. O quinteto subsequentemente lapidou o repertório ao vivo em dois dias. A versão reduzida resultou no álbum.


Fonte: JazzTimes / Jeff Tamarkin

Foto: iTunes

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Paul Chambers - Go!


O jazz não pode ser mais visto apenas como um estilo solitário autosuficiente/amante do blues. Não, agora ele traz fusões que marcaram fortemente sua trajetória, seja com o rock (fusion), música eletrônica (nu jazz) ou acid jazz (hip-hop, rap), misturas que só trouxeram mais visibilidade e não prejudicaram em nada a tradição. Claro, os conservadores abominam estas combinações inusitadas que, de fato, quebram o timbre clássico do jazz, porém lhe oferecem novos sons e instrumentos nesse caldeirão que é o jazz atual. Não aceitar esta evolução é negar a Teoria da Evolução de Charles Darwin: nós melhoramos conforme a necessidade nos obriga a mudar.

Por outro lado, os conservadores podem rebater: "Por quê trazer elementos estranhos para o antigo jeito de tocar? Por quê confundir ambas filosofias musicais misturando-as?" A resposta mais óbvia é: "Estamos cansados de ouvir os mesmo acordes, os mesmos riffs, queremos algo novo, inusitado!" Neste ponto também fico dividido. O que seria melhor, ritmos novos ou uma repaginação do obsoleto?

Evitar comparações é o modo mais difícil de se chegar a um veredito, mas alguns álbuns das antigas conseguem nos fazer olhar sob outro aspecto sobre o 'novo'. Visitando blogs Internet afora, encontrei 'O' álbum perfeito para me justificar, um exemplo do porque a tradição se ofende ao ser chamada de 'obsoleta' (como a pouco fiz).

Simplesmente intitulado Go!, este álbum é importante no portfolio do baixista Paul Chambers e ilustra o bom momento de sua carreira na época: há alguns anos empregado como baixista de Miles Davis, tendo gravado com o trompetista os últimos LPs encomendados pela Columbia Records no meio dos anos 50, Chambers também tinha seus trabalhos solos como bandleader para a Blue Note comparados a jóias recém descobertas, principalmente no campo do contrabaixo.

Cerca de um mês antes de gravar o histórico álbum de jazz Kind of Blue, Chambers reuniu o quinteto de Miles na época (sem o chefão, substituindo-o pelo iniciante Freddie Hubbard) para fazer um som diferente do praticado por Davis: a intenção era produzir o hardbop mais tradicional possível, sem qualquer ligação com o jazz modal.

Durante os dois dias de gravação, o quinteto registrou a música com a pulsação do show ao vivo, energético e mais livre de fama (logo, profundo em si mesma) do que estavam acostumados. A mentalidade da música é a de um grupo amador que sabe tocar muito bem, ou seja, músicos experientes sem fama, livres para serem autêticos e fiéis aos fãs, cobrando cinco reais de ingresso e uma caixa de cervejas de cachê.

Muitas vezes ao tocar tendo o peso da responsabilidade e do cachê que irá ganhar em mente, muita música acaba sendo mais dura, mais comercial e perde o espírito eterno da experimentação que o jazz se fundou. Há improvisos, com certeza, porém a suavidade do solo se perde na segurança de parar tudo a qualquer minuto e poder gritar pro técnico "Ei, ficou ruim, vou repetir agora". A espontaneidade (isso, essa é a palavra!) dificilmente permanece após o primeiro take, afinal, se o primeiro não deu certo, você tem duas alternativas: inventar um completamente fresco ou melhorar o errado: qual prefere? O mais criativo ou o mais fácil? Pois é, isso não aconteceu aqui. Mesmo sem saber quantos takes foram necessários, é possível absorver a fluidez que as notas passam, sem medo de deslizar demais numa escala ou passar do tempo combinado. Como todo bom músico, sempre há espaço pra uma música nova e ansiosa pra ser executada.

É o caso de três das seis composições presentes: dentre os standards estão Just Friends, I Got Rhytm e There Is No Greater Lover. Entre elas se destaca Just Friends, a mais segura e confiante dos clássicos, povoada duma certa dose de old school é clara e completa em cada acorde. Awful Mean, Ease It e Julie Ann compõe a parcela nova do repertório. Todas composições de Paul Chambers, são nelas que percebemos melhor o estilo de Chambers ao conduzir o set e solar bastante, afinal, o contrabaixo também têm sons inexplorados a serem estimulados como qualquer palheta ou teclado.

Apesar do álbum ter sido registrado como acústico (captado em estúdio), uma das músicas tem barulho de aplausos. Ao final de I Got Rhytm e Ease It o som de palmas bastante empolgantes e satisfeitas nos convence que a performance ao vivo é imbatível, bem mais sedutora se comparadas as de estúdio, onde a banda está isolada numa cabine a prova de som e sem platéia. Porém a criatividade vai além de meros efeitos técnicos e espuma, principalmente com artistas que já tocaram pra todo tipo de platéia, desde os boêmios de Nova York aos conservadores do West Coast. Músicos de longa estrada transformam os parceiros de show em espectadores, mudam de técnico para fã ao final de cada sequência. É aí que mora o jazz, na diversão mútua, na graça de tocar pra si e não ter receio do público desconfiar que pagou demais pra estar ali.

Como o próprio título e a música do álbum sugerem, o jazz precisa evoluir (need to Go...), se mixar pra melhorar, porém sem esquecer que tudo (tudo mesmo) é fruto de crescimentos, de investimentos; nada chegou a ser o que é sem ajuda (caramba, o swing veio da evolução do dixieland, o bebop veio da adaptação do swing!). O conservadorismo evoluiu do antigo e precisa lembrar que se não fossem caras como Charlie Parker e John Coltrane, muito jazz não nasceria ou teria atrofiado por décadas.



Paul Chambers - contrabaixo
Cannonbal Adderley - sax alto
Freddie Hubbard - trompete
Wynton Kelly - piano
Jimmy Cob / Phillip Joe Jones - bateria


Músicas:

Ease It
Just Friends
I Got Rhytm
Julie Ann
Awful Mean
There Is No Greater Love


Gravado durante os dias 2 e 3de Fevereiro de 1959.