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quarta-feira, 6 de julho de 2011

30 Days (Jazz) Songs Challenge - Dia 1

Dia 1 - The song with the highest play count on your iPod/mp3 player
            (A música com o maior número de execuções no seu iPod/mp3 player)

Imaginem minha surpresa quando abri o iTunes e achei um rock como meu som mais tocado! Não é qualquer música que tenha baixado por engano ou nada do tipo, mas simplesmente a mais bacana do quinteto LSD and the Search For God. Eu já escrevi sobre eles aqui no blog e, curiosamente, o vídeo embutido é o mesmo da música com maior ranking no meu pc.


Pra não ser injusto com aqueles que vieram ouvir um jazz, o segundo colocado é uma das canções mais pungentes do Frank Sinatra, na minha opinião. Ela se chama The Moon Is Yellow (And The Night Was Young). Frank gravou essa canção 3 vezes durante a sua carreira, mas a versão que tenho aqui é de um show gravado em Las Vegas em novembro de 1961, onde está acompanhado de uma orquestra completa e plenamente envolido pelos ritmos latinos que a melodia evoca. Como não consegui essa versão pra compartilhar, ofereço outra gravação ao vivo d'A Voz cantando no Japão, também nos anos 60, acompanhado de um quinteto.


The Moon Was Yellow, and the Night Was Young - 99 Essential Frank Sinatra Classics Vol. 2

Não curti muito essa versão, achei-a extremamente fraca perto da que tenho, mas é o que a internet oferece.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Namoro, Cole Porter e Sinatra no cinema

Quem não conhece Frank Sinatra que atire a primeira pedra, quem nunca viu um de seus filmes jogue a segunda e a terceira... Sim, Sinatra também foi ator e participou de mais de 40 filmes de diversos gêneros, desde comédia à policial. Como respeitado cantor, não é de se surpreender que tenha cantado em muitas dessas produções, as vezes o único ponto firme da trama. Este é o caso de Can Can, de Walter Lang.

Apesar de ser um ótimo cantor, as qualidades inerentes ao teatro não lhe foram dadas. O próprio dizia que o sucesso de suas músicas vinha do talento em poder interpretar canções e passar o que o compositor queria transmitir. No cinema é quase igual...

Produzido em 1960, a história se passa em 1896, em Montmartre, quando o can-can é proibido pelo 'bem da moral e da boa conduta' da época. No dia em que a polícia dá uma batida numa boate e descobre a dança ilegal, Simone (Shirley McLaine), dona e dançarina, vai presa e deixa o juiz Philippe Forrestier (Louis Jordan) apaixonado. Ao mesmo tempo, Forrestier tenta fazer seu trabalho, proibir o can-can, sem magoar a dançarina. O namorado de Simone, François (Frank Sinatra) terá que ser esperto para continuar com Simone e despitar o coração do juiz.



Sinatra charmoso....

Pois é, deu vontade de ver? Nem em mim.... O atrativo é a criatividade musical aliada à interpretações divertidas e, percebe-se, feitas pra entreter a platéia e não necessariamente fazer sentido. Cole Porter, compositor de standarts eternos no jazz e MPNA (música popular norte-americana, acabei de inventar) cedeu os direitos de uso de suas canções ao filme e assim tudo tomou seu lugar. Além de Sinatra cantando C'est Magnifique, há Louis Jordan em You Do Something To Me e Maurice Chevalier tentando engrenar Just One of Those Things. Lembrete: outro filme estrelado por Sinatra, High Society (com Bing Crosby, Louis Armstrong e Grace Kelly) teve que desembolsar 250 mil dólares pelos direitos de nove melodias de Porter.



... Sinatra bobão.

O melhor está por vir. Dentre todas as performances do longa-metragem Can-Can, a mais simples, terna e romântica é do"Skinny" Sinatra. Logo após uma briga com Simone, Frank (ops), François desce pra tomar um drink e encontra uma das coristas que sempre paquerou, mas nunca foi adiante. Mesmo em frente a oportunidade de ganhá-la, ele pensa, volta atrás e lhe explica tudo com It's Alright With Me. Sem ofendê-la, ele gentilmente a dispensa e se mostra um homem fiel a Simone. "Oh, what a man!", diriam suas milhares de fãs.

O grand finale da cena nasce do que aconteceu nos bastidores. A atriz que interpreta a corista se chama Juliet Prowse, namorada de Sinatra no começo dos anos 60. Não é de se surpreender o nepotismo e/ou favoritismo do showbiz de sempre, mas a mistura entre a vida real, namorados e "amigos coloridos" é saborosa. Prowse, que já era dançarina antes de conhecer o astro-namorado, só ganhou com a visibilidade do relacionamento: participações em filmes, peças de teatros, perfis em revistas, etc. Infelizmente o romance não foi longe. Após pedí-la em noivado em 1962, Sinatra queria muitooo (entenda por impôr) que ela largasse a carreira artística em nome do casamento, o que não foi aceito pela noiva e decidiu por terminar a relação.



Nota publicada na época do noivado
É, uma mulher lhe dar o fora durante o noivado não foi nada legal, mas ele superou rápido, aposto, com outras coristas Hollywood afora... Voltou a casar em 1965 com a também atriz Mia Farrow e logo depois com Barbara Marx, ex-esposa de um dos irmãos Marx, em 1976. Juliet Prowse tocou em frente: atuou com Elvis Presley (um dos inimigos comercias de Frank) em G. I. Blues e o seriado norte-americano Mona McCluskey, além dos filmes The Fiercest Heart (1961) e Who Killed Teddy Bear? (1965). Após tudo isto, sua estrela abaixou e ficou anos se apresentando como dançarina em cassinos de Las Vegas. Se casou com o ator de TV John McCook, do qual se separou e voltou um pouco antes de morrer de câncer em setembro de 1996.

Em seguida você assiste a cena de Can-Can que inspirou este post, dentro e fora das telas.
Apesar de toda polêmica off-stage, a canção é cantada com extrema beleza por Sinatra e lhe dá toda paixão que um caso de amor demora a apagar: a fidelidade dos sentimentos.

OBS: o áudio está um pouco atrasado no começo, mas nada que afete o quadro final.