sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Melody Gardot: Jazz, clips e banheiras

Há décadas que bandas, principalmente as de rock e pop, produzem videos curtos para ilustrar suas músicas: os hiper populares clips. Pois bem, todos já viram algum dos Rolling Stones, da Madonna e do Michael Jackson, mas quantos de jazz existem por aí?

Como o jazz surgiu antes dessa prática e sofreu muito com o crescimento frenético do rock, reggae e pop tomando os jovens ouvidos pra longe, a idéia de um gigante como Miles Davis gravando solos num praia seria surreal, mas acho que ele teria topado... Quem sabe o Coltrane dentro duma igreja ou Louis Armstrong num onibus... opa isso aconteceu! Enfim, o máximo que o jazz usufruiu disto está presente nos filmes, vários deles, onde caras como o senhor Armstrong improvisa com Paul Newman e Sidney Poitier (Paris Blues, 1961).

Geralmente convidados como adidos nestes filmes, a interação entre jazz e cinema deu certo, tanto que o pianista Duke Ellington foi convidado a compor a trilha sonora de Anatomy of a Murder (1959).

Apesar de não ser um espaço garatido pra arte musical, pelos menos o peso da imagem já contribui na divulgação e curiosidade que despertam no público. É raro vermos clips do gênero sendo veiculados na mídia atual, mas alguém se manisfestou: Melody Gardot. A promissora cantora norte americana de vinte e poucos anos fez um clip belíssimo pra música Baby I'm A Fool, que está em seu último álbum My One and Only Thrill. Após ser lançado na Internet no site oficial da artista, Nelson Motta comentou o fenônemo Gardot em sua coluna semanal no Jornal da Globo. Ele mostrou cenas e teceu elogias à cantora e sua iniciativa, o que é muito válido para um ritmo que mal tem espaço na mídia de massa.

A seguir assista Baby I'm A Fool, com Melody Gardot na voz, corpo e numa banheira muito...hmmm.. confortável:



Como se fosse pouco, Gardot também lançou um pequeno clip (não no sentido clássico do termo) de outra música de My One and Only Thrill. A canção se chama Who Will Confort Me e mistura momentos de estúdio com vídeos out-of-stage de Melody. Confira:

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Jazz Station - Oscar Peterson

Após meses de trabalho exaustivo e pesquisa, finalmente o Jazz Station saiu das fitas cassetes e veio para a Internet. Ninguém melhor e mais criativo do que Oscar Peterson, provavelmente o pianista com maior número de gravações (mais de 200) e um dos recordistas em tempo de carreira (67 anos, precisamente) a ser o artista representado.

Nascido em 15 de Agosto de 1925, Oscar Emmanuel Peterson teve seu primeiro contato com a música através do trompete, aos 5 anos, mas, devido a tuberculose, trocou o sopro pelo teclado. Sua dedicação ao piano clássico, ensinado pelo pai e pela irmã mais velha, logo se converteu ao jazz: era só uma questão de tempo para largar o colégio e começar a tocar na noite.

A extensa carreira (graças a Deus!) de Peterson foi fruto de técnica e uma imaginação efervescente: sua velocidade assustadora podia impressionar pela quantidade de som que produzia, mas nunca deixava de ser suave e terno em suas apresentações, sempre cheio de simplicidade ao piano e em relação ao público

Peterson reinventava suas músicas e tirava o máximo de proveito de seus improvisos, objeto de estudo e admiração de milhares de músicos, amadores ou não. Quando se apresentava ao vivo ou simplesmente fosse gravar em estúdio, sabia que a música que estivesse prestes a tocar jamais seria igual; não importava se fosse nova ou velha, cada nota soaria diferente e original. A qualidade única que emanava de todo improviso nos lembra dos trechos que o autor ignorou ao compor e o pianista se esforçava para recolocar no lugar como se fosse seu. De fato era, mas o segredo é transparecer a humildade em melhorar algo sem tirar o crédito de ninguém. Oscar Peterson podia e queria fazer assim.



Para baixar o podcast, clique na foto abaixo:

Músicas:
It's Alright With Me
Joy Spring
The Shadow of Your Smile
Sweet Georgia Brown
Take the A Train
The Lady Is a Tramp
Nica's Dream
Mirage