
Ao ver a lista de músicos de jazz escalados para a próxima edição do Tim Festival 2008 você verá um nome que merece atenção e audição aguçadas: Esperanza Spalding. Essa norte americana de 23 anos, cantora e contrabaixista talentosíssima, virá ao Brasil no fim de outubro para um show na capital paulista e outro na carioca.
Considerada a segunda professora mais jovem na história da conceituada Berklee College of Music (o primeiro foi o guitarrista Pat Metheny), Esperanza está lançando seu segundo álbum, chamado Esperanza, récem lançado pela gravadora Universal no país.
Ao associarmos o nome desta estrela em ascenção à crença de tempos melhores, entendemos por que ela está trazendo cada vez mais espectativa: Esperanza divide as funções de contrabaixista e cantora, tarefa complicada num estilo onde o baixo representa mais do que um acompanhamento e a voz facilmente será posta a prova em comparaçãos com Billie Holiday, Nina Simone e Dinah Shore, por exemplo. Ao ouvirmos Precious e She Got to You é fácil perceber pequenas diferenças na pronúncia de certas palavras: não é nada técnico, é apenas a presença de um sorriso, como tantas vezes vimos em suas perfomances ao vivo. Algo tão simples mostra que nós não somos os únicos a se divertir com sua música.
Atráves de um piano envolvente, bateria firme e uma guitarra para a harmonia, canções como Fall In e Espera se tornam baladas sem falsas pretenções de seduzir homens e mulheres carentes. Também há músicas brasileiras no álbum, como Ponta de Areia (de Milton Nascimento e Fernando Brant) e Samba em Prelúdio (de Vinícius de Moraes e Baden Powell), interpretadas com um português quase confundível com o nosso. Suas qualidades nas quatro cordas são o prato final para o perfeito credenciamento de Spalding no jazz atual: apenas tocando na faixa If' That's True, ela conversa com o trompete e o sax bem calma, dando a resposta no timing exato que a melodia pede.
Como toda boa cantora, Esperanza se aventura através do scat sem culpa em Junjo, tema principal do seu primeiro álbum, Junjo, gravado em 2006 e somente comercializado nos EUA até então. Improvisando rapidamente em cima de seus próprios solos no baixo e nos dados pelo piano, a fórmula funciona perfeitamente em todas as outras faixas, onde nenhuma sílaba entendível é pronunciada (com exceção da sussurada Cantora de Yala), afinal, convenhamos, não precisa de muito mais: seu scat não poderia dizer mais do que seu sorriso.
Se quiser escutar algumas canções dela ao vivo, entre no podcast:
Fonte: WBGO.com